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14.05.2024 | A CCDR Algarve, I.P. | Agricultura e Pescas, em parceria com Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), organizou hoje, em Silves, uma sessão de divulgação relativa o 3º aviso do programa “Emparcelar para Ordenar” (pEO), que contou com a abertura da presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma, e do vereador Maxime Sousa Bispo.


O (pEO) é um apoio ao Emparcelamento Rural Simples, designado com vista a fomentar o aumento da dimensão física dos prédios rústicos, em contexto de minifúndio e em territórios vulneráveis (Portaria n.º 301/2020 de 24 de dezembro), contribuindo para a viabilidade e sustentabilidade económica das explorações.


Na região do Algarve foi definido com a DGADR a realização de duas sessões de divulgação , tendo a primeira sido realizada em Faro, nas instalações da CCDR Algarve I.P no Patacão, no passado dia 16 de abril, e agora a de Silves, por ser este o concelho onde se encontram constituídas três Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). A integração nestas áreas é um dos critérios de majoração do subsídio em 10%.


Consulte AQUI toda a apresentação, disponibilizada pela DGADR (Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural)
Pode candidatar-se até ao dia 11 de junho de 2024. Mais informação em Emparcelar para Ordenar

Os projetos AGRO+EFICENTE são desenvolvidos por um consórcio liderado pela CCDR Algarve I. P., do qual fazem parte entidades públicas, associações, empresas privadas e centros de competências, e pretendem contribuir para implementar medidas de mitigação dos efeitos resultantes das alterações climáticas.

Neste contexto, convocando o uso racional da água, estão em fase de instalação ensaios de rega deficitária controlada (RDC) em algumas das principais espécies fruteiras cultivadas na região do Algarve (citrinos, abacateiros e alfarrobeiras) e espécies emergentes, como a pitaia.

Por outro lado, está também em estudo a aplicação de diversos regimes hídricos ao chamado Pomar Tradicional, composto por alfarrobeiras, figueiras, amendoeiras e oliveiras, integrando a análise da componente económica e ambiental, bem como a do microbiota do solo, em modo de produção biológico. Não foram esquecidas as consociações com espécies anuais, importantes para a melhoria da fertilidade do solo e para o aumento da capacidade de retenção de água, com ensaios de misturas de leguminosas e gramíneas e de viabilidade da introdução de novas espécies, como o feijão cutelinho (Lablab purpureus), pouco exigente em água e com potencial para melhoria da fertilidade do solo. As variedades tradicionais estão particularmente bem-adaptadas às condições edafo-climáticas da região, nomeadamente a situações de deficit hídrico, e, em muitos casos, deixaram de ser cultivadas e sujeitas a fenómenos de erosão genética, estando em risco de desaparecer. Para contrariar essa tendência, os projetos preveem a instalação de campos de pés mãe, disponibilizando este material vegetal ao sistema produtivo. Os projetos contemplam também uma componente de promoção e divulgação de boas práticas agrícolas.  

 

No primeiro trimestre de 2024 foram efetuadas várias tarefas, no âmbito dos projetos, entre as quais se destacam: 

  • Avaliação da produção de biomassa e caraterização da composição florística, em ensaio de espécies de cobertura;  
  • Implementação do delineamento experimental de ensaios de RDC, com seleção, orçamentação e aquisição de equipamentos; 
  • Instalação do ensaio para determinação do Kc em pitaias; 
  • Avaliação da produção de abacate na parcela do ensaio de RDC; 
  • Manutenção de plantas envasadas para plantação, nomeadamente figueiras, resultantes de enraizamento de estacas, plantas enxertadas de amendoeiras e oliveiras e porta enxertos de alfarrobeira; 
  • Sequenciação do metagenoma e análise bioinformática do microbiota de solo; 
  • Avaliação da produção e biomassa no ensaio de feijão cutelinho e preparação do terreno para nova sementeira; 
  • Continuação do processo de microenxertia, para obtenção de plantas de citrinos livres de vírus e viróides;
  • Divulgação dos projetos em eventos (3ª Edição do Festival das Amendoeiras em Flor do Algarve, 8.ª Mostra - Silves Capital da Laranja e II Semana da Agricultura 2024 da UTAD), referências em programas de televisão (RTP 2 “Faça CHUVA, Faça SOL” de 16/03/24,) e publicações (Revista da Universidade do Algarve n.º 62 “Promover a sustentabilidade dos ecossistemas e da segurança alimentar”, Revista Voz do Campo n.º 278 “A citricultura do Algarve e a seca: proposta de algumas medidas de contenção”). 

PRR3

 

29.04.2024

*Artigo da autoria dos técnicos da CCDR Algarve, I.P., Sandra Germano e Celestino Soares


"Foi detetada pela primeira vez na Europa em Espanha em 2020, chegando a Portugal em dezembro de 2022 no Algarve, onde inicialmente foi detetada em limoeiros e mióporos.

A praga Scirtothrips aurantii pertence à família dos tisanópteros, conhecida vulgarmente por tripe. Esta espécie foi descoberta por Faure em 1929 na África do Sul, durante a recolha de espécies com elevada importância económica em citrinos nos anos 20 (Gilbert e Bedford, 1998). Trata-se de uma espécie polífaga, já tendo sido reportada em mais de 70 espécies, entre elas vinha, manga, abacate e uva, no entanto, o principal hospedeiro são os citrinos, nomeadamente a laranjeira (Citrus sinensis). Foi detetada pela primeira vez na Europa em Espanha em 2020, chegando a Portugal em dezembro de 2022 no Algarve, onde inicialmente foi detetada em limoeiros e mióporos. Encontra-se classificada como uma praga de quarentena da União Europeia. Atualmente encontra-se presente em cerca de 20 países.

Esta praga tem sido assinalada em diversas zonas da região do Algarve encontrando-se predominantemente na cultura dos citrinos.

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária após a identificação desta espécie em território nacional emitiu o Despacho n.º 17/G/2023, de 23 de fevereiro, estabelecendo Zonas Demarcadas para este inimigo, assim como as medidas a aplicar nestas zonas. No site da DGAV é possível aceder a informação atualizada sobre esta temática (https://www.dgav.pt/plantas/conteudo/sanidade-vegetal/inspecao-fitossanitaria/informacao-fitossanitaria/scirtothrips-aurantii).

Do ponto de vista morfológico os Scirtothrips spp. passam por 5 estágios de desenvolvimento: ovo; dois estágios imaturos onde se alimentam ativamente, conhecidos como primeiro e segundo estágio larvar respetivamente; dois estágios imaturos onde não se alimentam, conhecidos como pré-pupa e pupa; e por o último, o estágio adulto alado onde se alimentam ativamente (Gilbert e Bedford, 1998). O ciclo é contínuo, sem diapausa, sendo o desenvolvimento mais lento quando as temperaturas são baixas e existe escassez de alimento. O ciclo de vida pode durar 18 dias no verão e 44 dias no inverno (Gilbert e Bedford, 1998). Os Scirtothrips spp. podem ser vetores de vírus.

As fêmeas possuem coloração amarela pálida a alaranjado, antenas com 8 segmentos, e bandas escuras acastanhadas nos segmentos abdominais e medem cerca de 0.6-1.1 mm de comprimento. As fêmeas da S. aurantii inserem os seus ovos nas folhas jovens, ramos e frutos utilizando o seu ovipositor em forma de serra. Os machos são similares às fêmeas (Foto 1), mas mais pequenos com um comprimento de cerca de 0.8 mm. Os machos desta espécie diferenciam-se de outros por terem um tergito abdominal IX um par largo e escuro de processos laterais e pela presença de uma fila de 6 setas fortes na margem superior do fémur das patas traseiras (Ficha divulgativa, 2022).

Os estragos provocados por esta espécie estão diretamente relacionados com a sua alimentação. Tanto os adultos como as larvas alimentam-se das células epidérmicas das folhas jovens, pedúnculos e ápice de jovens frutos, especialmente junto ao cálice (Milne e Manicom, 1978), não se alimentando de folhas maduras.

Marcas prateadas de sucção podem ser observadas no limbo na superfície das folhas jovens, que apresentam escarificações e cicatrizes alargadas localizadas junto à nervura principal ou no bordo do limbo (Foto 2). Durante o crescimento da folha a parte afetada não cresce, dando origem a deformações mais ou menos pronunciadas com espessamento linear da lamina foliar que passa a cor acastanhada e pode originar a queda de folhas prematura. Na base do fruto gera uma cicatriz superficial, formando um anel à volta do pedúnculo que aumentam com o crescimento do fruto (MacLeod e Collins, 2006; EFSA PLH Panel, 2018) (Foto 3). Folhas com estes sintomas também podem conter pequenos pontos pretos. Um ataque severo em folhas novas pode reduzir substancialmente a produção do ano seguinte (Kamburov, 1991). As variedades Navel são consideradas as mais suscetíveis a S. aurantii (Gilbert e Bedford, 1998) (…)."

→ Leia o artigo completo na Revista Voz do Campo: edição de fevereiro 2024

29.04.2024 | Os roteiros “aMar a Terra” são uma iniciativa da CCDR Algarve, I.P. – Agricultura e Pescas que pretende divulgar projetos de investimento na região do Algarve nas áreas do agroalimentar e da economia do mar e que são apoiados por fundos europeus, sendo exemplos de contributo para a coesão territorial e diversificação da base económica regional. Estes roteiros visam divulgar o que de melhor se está a fazer em termos de inovação, empreendedorismo, sustentabilidade e valorização dos recursos endógenos.

Hoje é dia de destacar o projeto da Alvostral, uma empresa de referência no mercado português da aquacultura e que tem em muito contribuído para a dinamização da região do Alvor enquanto zona de eleição para a produção ostrícola no Algarve.

A Alvostral foi fundada em 2012 e está sediada na reserva natural da Ria de Alvor, concelho de Lagos. A sua atividade passa pela aquacultura, produção, transformação, acondicionamento e comercialização de bivalaves, nomeadamente ostras. Para o desenvolvimento da sua atividade, possui atualmente licença para doze concessões, localizadas em Vale da Lama, numa área conjunta total de 10hectares. A peculiaridade das marinhas da Ria de Alvor, pelas suas condições hidrográficas, salinidade e riqueza de fitoplâncton, torna-as ideais para o desenvolvimento de uma ostreicultura.

Apoiada pelo Programa Operacional Mar2020, medida Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura (P02M01), a empresa trabalhou no aumento da sua competitividade e viabilidade melhorando a qualidade dos produtos por aplicação de técnicas de maneio adequadas e introdução de novas tecnologias, e diminuindo os custos de estrutura por unidade produzida, com sistemas que contribuíram para a melhoria da eficiência energética.

A operação foi aprovada para um investimento elegível de 353.499,22€, apoiado pelo Mar2020 em 50% e com uma taxa de execução de 87%.