
Com o intuito de promover reuniões descentralizadas com todas as Direções Regionais, o Secretário de Estado Rui Martinho deslocou-se na passada quinta-feira para o primeiro desses encontros, com a DRAP Algarve.
“Sendo estes momentos de proximidade fundamentais na construção das medidas de política pública, queremos, ao longo deste dia, estar com o setor, ouvir os produtores e, em diálogo, identificar soluções e respostas."
Num dia dedicado à região algarvia, Rui Martinho visitou, durante a manhã, a Adega do Cantor Sociedade de Vitivinicultura, as Frutas Tereso e a Associação de Regantes e Beneficiáros de Silves Lagoa e Portimão, onde ainda teve oportunidade de reunir com a Associação de Operadores de Citrinos do Algarve (AlgarOrange). Durante a tarde visitou as instalações da Madre Fruta, em Pechão, onde reuniu com dirigentes e associados desta organização de produtores.
Em solenidade realizada no período da tarde na sede da DRAP Algarve, o ex-Diretor Regional, Fernando Severino, foi homenageado com aposição de sua fotografia na galeria dos ex-Diretores Regionais.



Decorreu no dia 6 de dezembro, no auditório da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAP Algarve), o Seminário “Trioza erytreae”, com o objetivo de divulgar informação sobre a evolução da situação, estratégia nacional e luta biológica relacionada com esta importante praga que afeta a cultura dos citrinos.
Este Seminário, organizado conjuntamente pela DRAP Algarve e pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), contemplou no programa a participação de diversos oradores nacionais, Paula Cruz Garcia da DGAV, José Carlos Franco do Instituto Superior de Agronomia, José Alberto Pereira do Instituto Politécnico de Bragança, Ana Aguiar da Faculdade de Ciência do Porto e Amílcar Duarte da Universidade do Algarve, Para além destes contou ainda com a participação de José Maria Cobos da Dirección General de Sanidad de la Producción Agraria, Ministerio de Agricultura, Pesca y Alimentación de Espanha.
No conjunto, quer de forma presencial, quer em assistência por vídeo conferência o evento contou com mais de uma centena de participantes de todo o país.
A sessão foi iniciada pelos Diretores da DRAP Algarve e da DGAV, respetivamente Pedro Valadas Monteiro e Susana Pombo, que relevaram a importância da partilha de informação e do trabalho em rede como forma de melhorar a capacidade de atuação e de prevenção perante as ameaças fitossanitárias, cuja severidade e impacto é potenciado pela crescente mobilidade de pessoas e mercadorias, bem como pelas alterações climáticas.
Como principais conclusões obtidas no encontro, destacam-se os seguintes pontos:
- A praga Trioza erytreae vulgarmente conhecida por Psila Africana dos citrinos foi assinalada pela primeira vez na Península Ibérica, na Galiza em 2014. Paulatinamente expandiu-se para sul, por toda a zona costeira de Portugal continental, tendo sido assinalada em setembro de 2021 na região do Algarve, nos concelhos de Aljezur e Vila do Bispo. A norte encontra-se já assinalada nas regiões autónomas espanholas da costa norte da Península até muito próximo de França.
- É considerada uma praga de quarentena no território da União Europeia, obrigando à aplicação de medidas fitossanitárias necessárias para a sua erradicação e evitar a sua dispersão.
- Tem como principais hospedeiros, espécies vegetais da família das Rutáceas, onde se incluem os citrinos e algumas espécies ornamentais de fraca implantação na região do algarve. É uma praga relativamente fácil de identificar pelos sintomas característicos “galhas” que provoca na rebentação da cultura dos citrinos. É na cultura dos limoeiros que encontra condições mais favoráveis para se instalar, pelo facto desta espécie apresentar diversas rebentações anuais.
- Esta praga por si só não é considerada problemática, uma vez que é de luta relativamente fácil, conjugando-se facilmente no combate a outros inimigos da cultura dos citrinos, como é o caso dos afídeos e da mineira dos citrinos.
- O maior problema consiste no facto da Trioza erytreae poder transmitir a doença denominada Huanglongbing (HLB ou Citrus greening) causada pela bactéria Candidatus Liberibacter, considerada a doença mais grave dos citrinos a nível mundial, podendo comprometer seriamente a produção citrícola da Europa. Embora nunca tenha sido detetado nenhum caso desta doença na UE, existindo o inseto vetor, a probabilidade de dispersão é mais elevada.
- Para o seu combate tem vindo a ser aplicado, desde 2019, em articulação com os Serviços Agrícolas Espanhóis, um plano de luta biológico que consiste na realização de largadas sistemáticas de insetos parasitoides da espécie Tamarixia dryi. Este auxiliar apresenta uma elevada especificidade para esta praga e tem-se revelado extremamente eficaz no seu controlo, revelando taxas de parasitismo muito elevadas.
- No Algarve logo após a deteção da praga (Trioza erytreae), em setembro de 2021, foi de imediato articulado com a autoridade fitossanitária nacional, a DGAV, possibilitando que se tivessem realizado diversas largadas do referido parasitoide em plantas de citrinos nos concelhos afetados por esta praga. A comunidade científica é unanime em considerar que este parasitoide é uma mais valia no combate a esta praga.
Conclui.se ainda a importância de manter e reforçar a colaboração entre os principais agentes do setor, de modo a congregar esforços para a obtenção de êxito na aplicação das medidas fitossanitárias necessárias para a erradicação e evitar a dispersão desta praga.
Serão disponibilizados ao publico em geral, no site da DRAP Algarve e da DGAV as apresentações de todos os oradores, bem como a gravação do evento no canal YouTube da DRAP Algarve: https://www.youtube.com/channel/UC2urzeK7nj_6asxOFy_ll0w

GOVERNO ANUNCIA dois AVISOS para PROJETOS DE INVESTIGAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO NA AGRICULTURA
O Ministério da Agricultura anuncia a abertura de dois concursos para o financiamento de projetos de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Com uma dotação de 4M€ cada um, os Avisos agora anunciados dão resposta às Iniciativas Emblemáticas “Territórios Vulneráveis” e “Agricultura 4.0, da Agenda de Inovação para a Agricultura 20 | 30 «Terra Futura», sendo que cada candidatura pode beneficiar, no máximo, de 1M€.
O primeiro Aviso pretende promover o desenvolvimento sustentável, uma gestão eficiente dos recursos naturais – como a água, os solos e a biodiversidade – e a valorização dos recursos endógenos dos territórios nacionais. Ou seja, pretende apoiar atividades de I&D e inovação que desenvolvam e promovam práticas mais ecológicas, modos de produção mais sustentáveis, valorizem os serviços dos ecossistemas, as raças autóctones e as variedades tradicionais, contemplando todos os tipos de agricultura.
Já o segundo Aviso ambiciona encontrar respostas que promovam a digitalização e a aplicação das tecnologias digitais para melhorar a produtividade agrícola e agroalimentar, colocando o conhecimento como fator de competitividade e de igualdade. Para chegar a esta meta a proposta passa por agregar o conhecimento científico a equipamentos avançados, à Internet of Things (IoT) e à ciência de dados, de modo a desenvolver soluções que possam ser aplicadas a diferentes sistemas agrícolas, que tenham um grande potencial de exploração, comercialização e internacionalização.
“Queremos, com inovação, conhecimento e tecnologia, convocar a sociedade a responder aos desafios que se colocam ao setor agrícola, e daí a importância de implementar a Agenda “Terra Futura”. Temos de garantir uma produção cada vez mais sustentável a todos os níveis – ambiental, económico e social – e estes dois Avisos incidem, precisamente, na colocação de mais inteligência nas cadeias de valor, através da Agricultura 4.0, e na resposta aos desafios da transição ecológica e climática, através da aposta em territórios mais sustentáveis”, realçou a Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes.
A apresentação das candidaturas pode ser feita a partir de hoje, no site https://www.ifap.pt/web/guest/prr-candidaturas, até ao dia 28 de fevereiro de 2022, às 17h00.
A Agenda de Inovação está contemplada no Plano de Recuperação e Resiliência e, para a sua implementação, estão destinados 93M€ divididos em três partes: 45M€ para a dinamização de projetos de investigação e inovação; 12M€ para o financiamento de projetos estruturantes para a transformação digital; e 36M€ para a modernização de 24 polos da Rede de Inovação.
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